Anúncios
A Copa do Mundo da FIFA 2026™ já é uma realidade e o primeiro desafio da Seleção Brasileira promete ser um teste de fogo. Longe de ser o “azarão” que encantou o planeta no Catar, a seleção do Marrocos chega à América do Norte com uma nova identidade, um elenco maduro e ambições que vão muito além de ser apenas uma surpresa.
No dia 13 de junho, no MetLife Stadium, o Brasil de Carlo Ancelotti enfrentará uma equipe taticamente refinada. Para entender os perigos que aguardam a Seleção, dissecamos como jogam os atuais Leões do Atlas.
O Fim da Era Regragui e a Ascensão de Ouahbi
A principal transformação do Marrocos não ocorreu dentro das quatro linhas, mas à beira delas. Após o histórico quarto lugar em 2022, o ciclo de Walid Regragui chegou ao fim, abrindo espaço para a filosofia de Mohamed Ouahbi.
Conhecido por seu trabalho vitorioso nas categorias de base do país, Ouahbi assumiu a seleção principal com a missão de renovar o elenco sem perder a solidez defensiva que virou marca registrada da equipe. A transição foi bem-sucedida: ele manteve a espinha dorsal experiente, mas injetou sangue novo e talento precoce, como o do meio-campista Ayyoub Bouaddi, de apenas 18 anos.
Da Retranca Letal à Pressão Asfixiante
Se a memória afetiva de 2022 traz um Marrocos posicionado em um rígido 4-1-4-1, esperando o adversário em um bloco defensivo baixo, a versão de 2026 exige uma nova leitura. A identidade tática evoluiu.
- Linhas altas e agressividade: A equipe perdeu o medo de adiantar a marcação. O novo Marrocos sufoca o oponente ainda no campo de defesa, utilizando uma pressão alta coordenada para forçar erros e recuperar a bola perto da área adversária.
- Protagonismo com a bola: Diferente do ciclo anterior, em que o time sofria quando precisava ditar o ritmo do jogo, a seleção atual foi treinada para manipular espaços. Eles trocam passes com velocidade e paciência para desconstruir defesas bem postadas.
O Marrocos de 2026 não quer apenas sobreviver aos gigantes; ele quer enfrentá-los de igual para igual, ditando o ritmo de jogo quando necessário.
Assimetria e a Arma Hakimi
Para potencializar suas melhores individualidades, Ouahbi desenhou um sistema propositalmente assimétrico na fase ofensiva. O lateral-direito Achraf Hakimi é a peça central dessa engrenagem.
O mecanismo de construção de jogadas marroquino segue um roteiro claro:
- A Saída “3+2”: O lateral-esquerdo (geralmente Mazraoui ou Salah-Eddine) recua e forma uma linha de três com os zagueiros. À frente, dois volantes se apresentam para o passe curto.
- O Corredor de Hakimi: Com a base defensiva montada por três homens, Hakimi ganha liberdade absoluta na direita. Ele não se restringe à linha lateral, frequentemente cortando para o meio como um “falso 10” e bagunçando a marcação.
- Brahim Díaz na Engrenagem: Pela direita, Brahim Díaz flutua para o centro, atraindo o lateral adversário e deixando o corredor livre para as arrancadas de Hakimi. Do outro lado, Abde Ezzalzouli mantém a amplitude, partindo para o drible individual.
O Motor do Meio-Campo
Nada disso funcionaria sem um meio-campo capaz de suportar a intensidade exigida pelo novo treinador. A transição e a recuperação da bola dependem de um trio incansável.
| Peça-Chave | Papel Tático |
| Sofyan Amrabat | O pilar de sustentação. Faz as coberturas de Hakimi e organiza a primeira fase de construção de jogadas. |
| Ismael Saibari | A força física. Oferece combate agressivo na recuperação e infiltra na área como um “falso 9” surpresa. |
| Ayyoub Bouaddi | O termômetro. O jovem dita a cadência dos passes e oferece controle técnico contra defesas fechadas. |
O Desafio para o Brasil
O embate em Nova Jersey será um jogo de xadrez em altíssima velocidade. O Brasil precisará redobrar a atenção em três pontos fundamentais:
- O Lado Esquerdo da Defesa: O lateral-esquerdo brasileiro enfrentará a sobreposição letal entre Brahim Díaz e Hakimi. O apoio do ponta brasileiro (provavelmente Vinicius Junior) na recomposição será vital.
- Saída de Bola Limpa: Errar passes na intermediária defensiva é um convite ao desastre. A pressão alta marroquina buscará roubar a bola para acionar finalizadores rápidos como Ayoub El Kaabi ou Soufiane Rahimi.
- Paciência contra a Adaptação: O Marrocos é formado por atletas da elite europeia (PSG, Real Madrid, Manchester United). Eles têm maturidade para sofrer sem entrar em pânico e qualidade para ferir quando encontram espaço.
A Seleção Brasileira inicia sua jornada pelo hexa contra um adversário que já não se contenta em ser uma zebra simpática. O Marrocos é uma realidade consolidada, e o confronto promete ser um dos mais táticos e intensos de toda a primeira fase da Copa do Mundo de 2026.
